O ano de 2026 promete ser um marco para o setor jurídico, impulsionado por mudanças profundas em tecnologia, modelos de trabalho, atuação profissional e demandas sociais.
Advogados, departamentos jurídicos, escritórios e operadoras de justiça enfrentam um ambiente cada vez mais dinâmico, em que inovação e adaptação estratégica deixam de ser diferenciais para se tornarem requisitos essenciais.
Por isso, reunimos as principais tendências jurídicas que devem moldar o direito nos próximos 12 meses. Acompanhe!
Inteligência Artificial se torna infraestrutura jurídica
Em 2026, a Inteligência Artificial no Direito já não é mais vista como inovação experimental. Ela passa a ocupar o papel de infraestrutura essencial do trabalho jurídico.
Essa transformação ocorre porque o volume e a complexidade das informações jurídicas tornaram-se simplesmente incompatíveis com processos exclusivamente manuais. Milhões de decisões judiciais, mudanças legislativas frequentes e interpretações divergentes exigem sistemas capazes de organizar, correlacionar e interpretar dados em escala.
O que muda na prática:
- Pesquisa jurídica assistida por IA, com leitura, sumarização e comparação automatizada de precedentes;
- Análise preditiva de decisões judiciais, permitindo avaliar riscos, probabilidades de êxito e comportamento de magistrados;
- IA aplicada à jurimetria, transformando grandes volumes de dados processuais em inteligência estratégica.
O impacto mais relevante, contudo, não está na automação em si, mas na qualidade das decisões que passam a ser tomadas com base em evidências empíricas, e não apenas em experiência individual.
Jurimetria e Legal Analytics no centro da tomada de decisão
Uma das mudanças mais profundas de 2026 é a consolidação da jurimetria como ferramenta central de diálogo entre o jurídico e as demais áreas da organização.
Historicamente, o jurídico teve dificuldade em traduzir risco em termos compreensíveis para áreas financeiras e executivas. Em um contexto de pressão por eficiência, previsibilidade e controle de custos, essa lacuna torna-se insustentável.
A análise estatística de decisões judiciais, o estudo do comportamento de tribunais e magistrados e a mensuração objetiva de probabilidades passam a embasar decisões como recorrer, transigir ou encerrar litígios.
O jurídico deixa de ser apenas um centro de custo ou contenção de danos e passa a atuar como fonte de inteligência estratégica, capaz de influenciar planejamento financeiro, provisões e decisões de investimento.
Em 2026, a pergunta já não é se a jurimetria é uma tendência jurídica e deve ser utilizada, mas quem sabe utilizá-la com profundidade e responsabilidade.
Automação jurídica e workflows inteligentes
Outra tendência estrutural é a reorganização do trabalho jurídico a partir da automação. Diferentemente de ondas anteriores, que focavam apenas em ganho de produtividade, a automação em 2026 promove uma reconfiguração do modelo operacional.
Atividades repetitivas e operacionais são progressivamente automatizadas:
- Controle de prazos e publicações;
- Classificação e triagem de processos;
- Análise contratual e gestão documental;
- Relatórios gerenciais e dashboards jurídicos.
Isso libera tempo e recursos para atividades que exigem julgamento humano, análise contextual e tomada de decisão estratégica.
O efeito mais relevante não é apenas a redução de custos, mas a transformação do jurídico em uma área menos operacional e mais analítica. Escritórios e departamentos jurídicos passam a funcionar como verdadeiros centros de inteligência jurídica, conectados ao negócio e orientados por dados em tempo real.
Novo perfil do profissional do Direito
À medida que o Direito se torna mais tecnológico e orientado por dados, o perfil do profissional jurídico também se transforma. Em 2026, o domínio técnico da legislação continua sendo fundamental, mas já não é suficiente para garantir relevância profissional.
Ganha espaço o advogado capaz de interpretar dados, compreender modelos preditivos, dialogar com áreas de tecnologia e participar ativamente de decisões estratégicas. Paralelamente, equipes jurídicas passam a incorporar novos perfis, como analistas de dados, especialistas em legal operations e profissionais com formação híbrida.
Essa mudança não descaracteriza o Direito; ao contrário, eleva o papel do advogado, que passa a atuar de forma mais estratégica, menos operacional e mais integrada ao contexto econômico e institucional em que está inserido.
Leia também: Conheça as 8 principais características de um bom advogado
Governança, ética e confiança em um ambiente orientado por IA
O avanço da tecnologia no Direito traz consigo um desafio inevitável: como garantir o uso ético, transparente e responsável da inteligência artificial?
Em 2026, cresce a preocupação com governança de dados, explicabilidade de modelos, mitigação de vieses e preservação do sigilo profissional. Escritórios e departamentos jurídicos passam a desenvolver políticas internas claras sobre o uso de IA, tanto para proteger clientes quanto para preservar a credibilidade institucional da advocacia.
Nesse contexto, a confiança se torna um ativo ainda mais valioso. Não basta entregar eficiência ou previsibilidade; é preciso fazê-lo de forma responsável, auditável e alinhada aos princípios fundamentais do Direito.
2026 será o ano da maturidade tecnológica no Direito
As tendências jurídicas de 2026 indicam menos improviso e mais método, menos intuição isolada e mais evidência empírica. O Direito não perde sua essência normativa e interpretativa, mas amplia sua relevância ao incorporar dados, tecnologia e visão estratégica.
A boa notícia é que nunca houve tantas ferramentas capazes de ampliar a capacidade do advogado, em vez de substituí-lo. A diferença estará entre quem usa dados e tecnologia apenas como apoio, e quem transforma isso em vantagem competitiva real.
Na Turivius, acreditamos que o futuro do Direito passa por transformar informação jurídica em inteligência aplicada à decisão. E esse futuro já começou. Agende uma demonstração com um especialista e veja na prática o impacto que os dados podem ter na sua advocacia.

