Quanto custa um processo trabalhista para empresas em 2026?

O contencioso trabalhista é um dos maiores custos ocultos das empresas brasileiras — e raramente é tratado com a seriedade que merece.
Sumário

Um processo trabalhista custa, em média, entre R$ 8 mil e R$ 25 mil por reclamação para empresas brasileiras, somando condenação principal, honorários periciais, custas e custo interno de gestão. Em setores de alta litigiosidade — logística, construção civil e varejo — esse valor pode ultrapassar R$ 28 mil.

O Brasil encerrou 2024 com 5 milhões de processos trabalhistas pendentes na Justiça do Trabalho — e foram baixados outros 5 milhões no mesmo período, o maior volume da série histórica (CNJ, Justiça em Números 2025). Para a maioria das empresas, o processo trabalhista ainda é tratado como um evento isolado: chega, o jurídico cuida, e o custo vai para uma linha de “despesas eventuais”. Essa visão subestima, sistematicamente, o impacto real do contencioso no resultado do negócio.

O problema é que o custo de um processo trabalhista vai muito além da condenação que aparece na sentença. Honorários periciais, depósitos recursais imobilizados, honorários sucumbenciais desde a Reforma Trabalhista de 2017, e o custo interno de gestão — horas de advogado, RH e gestores respondendo intimações — formam um passivo que a maioria das empresas só conhece quando já é tarde.

Este artigo apresenta os dados reais do CNJ e do TST sobre o custo do processo trabalhista em 2026, desagregados por componente, setor e porte de empresa, e explica como a jurimetria transforma essa informação em decisão estratégica.

Dados reais do CNJ 2025: quanto custa um processo trabalhista na média?

O relatório Justiça em Números 2025 do CNJ (ano-base 2024) registrou que a Justiça do Trabalho atingiu o maior nível de produtividade da série histórica — 5 milhões de processos baixados em um único ano. Ainda assim, o acervo pendente permanece em 5 milhões de processos, e o tempo médio de tramitação total é de 2 anos e 11 meses: 1 ano e 9 meses na fase de conhecimento e 3 anos e 10 meses na fase de execução.

A análise da Turivius sobre decisões do TST aponta que o custo direto médio de um processo trabalhista — somando condenação principal, juros, custas e honorários — situa-se entre R$ 8 mil e R$ 25 mil por reclamação. Esse intervalo reflete a variabilidade por setor, porte da empresa e região do país.

Componente do custoMínimo estimadoMáximo estimadoFrequência
Condenação principal (verbas rescisórias)R$ 3.000R$ 18.000100%
Honorários periciais (quando há perícia)R$ 1.500R$ 6.000~40%
Custas processuaisR$ 400R$ 2.000100%
Depósito recursal — Recurso Ordinário 2025R$ 13.813,83Se recorrer
Honorários advocatícios sucumbenciais5% do valor15% do valor~70%
Custo interno (gestão, RH, advogado interno)R$ 800R$ 4.000100%
TOTAL ESTIMADOR$ 5.700R$ 31.000+

Fonte: análise Turivius com base em TST/CLT e Ato SEGJUD.GP 391/2025. Valores médios — variam conforme setor e região.

Quais são os componentes do custo trabalhista?

Muitas empresas subestimam o passivo porque contabilizam apenas a condenação principal — ignorando os encargos que se acumulam ao longo do processo. Entender cada componente é o primeiro passo para gerenciar o risco de forma estratégica.

1. Valor da condenação principal

É o valor das verbas rescisórias reconhecidas pelo juiz: horas extras, adicional de insalubridade, FGTS não depositado, aviso prévio, entre outras. Segundo dados do TST, os pedidos mais deferidos historicamente são multa do FGTS por dispensa sem justa causa, aviso prévio indenizado e horas extras. Esses três itens sozinhos respondem pela maior parte das condenações de menor valor.

2. Honorários periciais

Quando há pedido de perícia médica ou contábil, o custo pode variar de R$ 1.500 a R$ 6.000 por laudo. Em processos que envolvem insalubridade, periculosidade ou acidente de trabalho, a perícia é praticamente inevitável. O CNJ registrou crescimento expressivo desse tipo de ação nos últimos anos, impulsionado por demandas do setor industrial e de logística.

3. Depósito recursal 2025 — valores atualizados

Para recorrer, a empresa precisa depositar valores corrigidos pelo índice TRCT. Os valores máximos fixados pelo Ato SEGJUD.GP 391/2025 (TST) são:

  • Recurso Ordinário: R$ 13.813,83
  • Recurso de Revista, Embargos e Recurso em Ação Rescisória: R$ 27.627,66

Esses valores ficam bloqueados durante todo o trâmite recursal, representando capital imobilizado sem rendimento — um custo de oportunidade que raramente entra no cálculo do passivo.

4. Honorários advocatícios sucumbenciais

Desde a Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017), quando a empresa perde, pode ser condenada a pagar os honorários do advogado da parte contrária — entre 5% e 15% do valor da condenação. Em condenações de R$ 20 mil, isso representa entre R$ 1.000 e R$ 3.000 adicionais — um custo que passou a ter peso significativo no passivo total a partir de 2018.

5. Custo interno de gestão

Frequentemente ignorado pelas empresas, o custo interno inclui horas de advogado interno respondendo intimações, tempo de RH compilando documentos e disponibilidade de gestores chamados para depoimentos. Estimativas do setor apontam entre R$ 800 e R$ 4.000 por processo — e em empresas sem estrutura jurídica própria, esse custo é absorvido de forma ainda menos visível pelo tempo operacional perdido.

O custo varia por setor? Comparativo por indústria

Não existe um custo único de processo trabalhista. Ele varia de forma significativa por setor econômico, em função da natureza das funções, do regime de trabalho, da exposição a adicional de insalubridade ou periculosidade e da litigiosidade histórica de cada segmento.

SetorCusto médio estimadoPrincipal pedidoLitigiosidade
Varejo e comércioR$ 12.000 a R$ 20.000Horas extras / PLRAlta
Logística e transporteR$ 15.000 a R$ 28.000Insalubridade / acidenteMuito alta
Construção civilR$ 10.000 a R$ 22.000Periculosidade / FGTSAlta
Serviços e TIR$ 6.000 a R$ 14.000Horas extras / PJ irregularMédia
Financeiro e bancárioR$ 8.000 a R$ 18.000Horas extras / assédioMédia-alta
Indústria e manufaturaR$ 10.000 a R$ 25.000NR-17 / insalubridadeAlta

Fonte: análise Turivius com base em dados do TST e CNJ (Justiça em Números 2025). Valores estimados.

Qual o impacto do porte da empresa no passivo trabalhista?

Empresas de médio e grande porte respondem pela maior parcela do contencioso trabalhista no Brasil, mas também são as que mais se beneficiam de estratégias sistêmicas de prevenção e gestão do passivo. Quanto maior o volume de processos, maior o potencial de ganho com jurimetria — porque os padrões de risco ficam mais visíveis e acionáveis em escala.

Porte da empresaProcessos/ano (média)Passivo anual estimadoCusto médio por processo
Pequena (até 49 func.)2 a 8R$ 30.000 a R$ 100.000R$ 8.000 a R$ 14.000
Média (50 a 499 func.)8 a 60R$ 100.000 a R$ 900.000R$ 10.000 a R$ 18.000
Grande (500+ func.)60 a 500+R$ 1 mi a R$ 15 mi+R$ 12.000 a R$ 25.000

Fonte: estimativas Turivius com base em TST/CNJ. Variam conforme setor e região.

Como o tempo de duração do processo multiplica o custo final?

O tempo é um multiplicador silencioso de custo no processo trabalhista. Com juros de mora de 1% ao mês (12% ao ano) e correção monetária contínua, uma condenação inicial de R$ 10 mil pode chegar a R$ 16 mil ao fim da tramitação média de 2 anos e 11 meses — sem contar custas e honorários periciais.

Duração do processoCondenação inicial de R$ 10.000Condenação inicial de R$ 25.000
1 anoR$ 11.200 a R$ 12.000R$ 28.000 a R$ 30.000
2 anosR$ 12.500 a R$ 14.400R$ 31.000 a R$ 36.000
2 anos e 11 meses (média CNJ 2025)R$ 13.500 a R$ 16.000R$ 33.500 a R$ 40.000
5 anos (processos complexos)R$ 17.600 a R$ 24.900R$ 44.000 a R$ 62.200

Valores estimados com juros de 1%/mês + correção monetária média de 5%/ano. Não incluem custas e honorários periciais.

É por isso que a conciliação precoce tem impacto tão direto no caixa. Em 2024, a Justiça do Trabalho homologou 136.885 acordos, movimentando R$ 7,74 bilhões, com taxa de conciliação de 22% (TST, 2024). Acordos realizados na fase inicial reduzem o custo total em média 35% a 50% — mas a decisão de quando e como acordar exige dados: qual a taxa de sucesso da empresa naquele TRT, qual o valor médio de condenação para aquele tipo de pedido.

Como reduzir o custo do passivo trabalhista com jurimetria?

A jurimetria — análise quantitativa de decisões judiciais — é a principal ferramenta para que empresas compreendam seu passivo trabalhista de forma objetiva. Em vez de avaliar processo por processo de forma isolada, a jurimetria revela padrões: quais teses os tribunais acolhem, quais verbas são mais deferidas, qual o valor médio de condenação por pedido e por região. Isso transforma a gestão do contencioso de reativa em estratégica.

O caso da Nestlé ilustra esse impacto de forma direta: utilizando jurimetria e IA jurídica com dados do TST, a empresa reduziu 43% do seu contencioso trabalhista, concentrando os esforços preventivos nos temas de maior risco — identificados pelos dados antes de se tornarem processos.

O que a jurimetria revela sobre o passivo trabalhista

  • Teses mais deferidas pelo TRT da sua região: saber quais pedidos os juízes costumam acolher permite antecipar o risco e priorizar acordos com mais segurança
  • Valor médio de condenação por tipo de pedido: calcular o passivo esperado de cada processo em aberto com base em decisões anteriores similares
  • Taxa de sucesso em recursos: identificar quando o depósito recursal de até R$ 27.627,66 justifica o risco — e quando o acordo sai mais barato
  • Perfil dos reclamantes com maior taxa de êxito: concentrar políticas preventivas internas nos grupos de maior risco litigioso

Como o Agente de Jurimetria realiza essa análise?

O Agente de Jurimetria foi desenvolvido para transformar esse processo em escala. Em minutos, ele busca centenas de decisões do TST e do TRT da sua região, extrai automaticamente partes, temas, resultados e valores envolvidos, e organiza tudo em tabelas estruturadas com relatórios completos, gráficos e predições de resultado.

É o primeiro agente de jurimetria do Brasil — e permite que equipes jurídicas identifiquem as teses mais deferidas, calculem o valor médio de condenação por pedido e monitorem continuamente novas decisões relevantes para o seu contencioso, sem depender de pesquisa manual. O que antes levaria dias de análise passa a ser entregue em minutos, com rastreabilidade de fonte e base em dados reais dos tribunais.

Conclusão

Em resumo, o custo de um processo trabalhista para empresas vai muito além do valor da condenação. Somando honorários, custas, depósitos recursais e custo interno de gestão, a média por reclamação situa-se entre R$ 8 mil e R$ 25 mil — e esse valor cresce de forma previsível a cada ano de tramitação, em uma Justiça do Trabalho com tempo médio de 2 anos e 11 meses (CNJ, 2025).

A boa notícia é que esse custo é gerenciável. Empresas que usam jurimetria para entender o perfil do seu contencioso tomam decisões mais precisas: acordar quando os dados indicam que a condenação tende a ser alta, recorrer quando a taxa de sucesso naquele TRT justifica o depósito recursal, e investir em prevenção nos temas de maior frequência.

Perguntas frequentes sobre custo do processo trabalhista

Qual o valor do depósito recursal trabalhista atualmente?

Os valores são reajustados periodicamente pelo TST com base no INPC/IBGE. Em 2025, o Recurso Ordinário exige depósito de até R$ 13.813,83 e o Recurso de Revista até R$ 27.627,66, conforme o Ato SEGJUD.GP 391/2025.

Vale a pena fazer acordo trabalhista?

Em geral, sim. Acordos realizados na fase inicial reduzem o custo total em média 35% a 50%, eliminando juros de longo prazo e custas recursais. A decisão ideal é baseada em dados de jurimetria local — qual a taxa de sucesso da empresa em processos similares naquele TRT.

Como o tempo de duração do processo afeta o custo final?

Com juros de mora de 1% ao mês e correção monetária contínua, o valor cresce de forma previsível a cada ano de tramitação. Uma condenação inicial de R$ 10 mil pode chegar a R$ 16 mil ao fim da tramitação média de 2 anos e 11 meses — sem contar custas e honorários periciais.

Quais verbas trabalhistas são mais deferidas pelos tribunais?

Multa do FGTS por dispensa sem justa causa, aviso prévio indenizado e horas extras são os pedidos mais deferidos historicamente segundo dados do TST. São os pontos prioritários em qualquer política de prevenção trabalhista.

Como calcular o passivo trabalhista da minha empresa?

O cálculo deve considerar: processos em andamento com risco estimado por decisões anteriores similares, passivo potencial de riscos ainda não ajuizados e a tendência histórica de litigiosidade da empresa. O Agente de Jurimetria do GPTuri by Turivius faz esse cálculo com dados reais dos tribunais.

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