Quem vence mais na Justiça do Trabalho: empresa ou trabalhador?

Neste painel, você confere o ranking de processos trabalhistas por estado, a litigiosidade per capita, o perfil decisório de cada TRT e as chances de êxito dos recursos de empresas e trabalhadores.
Sumário
Advogados trabalhistas

São Paulo concentra a maior litigiosidade trabalhista do Brasil, tanto em volume quanto em relação à população, segundo o CNJ: o TRT-2 recebeu 995.551 casos novos em 2025, ou 42,8 por mil habitantes, contra média nacional de 24,3.

O Rio Grande do Sul é o segundo estado que mais litiga em relação à população. Já no segundo grau, a análise da Turivius sobre 500 acórdãos de recurso ordinário julgados entre 2023 e 2026 mostra que ninguém costuma levar tudo: 67,8% das decisões foram parciais, 17,2% favoreceram a empresa e 15,0% o reclamante. O perfil, porém, varia muito por tribunal.

O TRT-4 (RS) é o mais favorável ao trabalhador, com saldo de +22,8 pontos percentuais, enquanto o TRT-9 (PR) é o mais favorável às empresas, com 40,5% das decisões a seu favor e saldo de −32,4 p.p.

Este painel reúne três leituras complementares: volume de ações por estado, litigiosidade per capita e perfil decisório dos Tribunais Regionais do Trabalho.

Quais estados têm mais ações trabalhistas?

São Paulo lidera com folga. Os dois tribunais do estado, TRT-2 (capital e Grande São Paulo) e TRT-15 (Campinas e interior), receberam juntos 1,66 milhão de casos novos em 2025, 31,9% de toda a Justiça do Trabalho. Só o TRT-2 respondeu por 995.551 casos, 19,2% do total nacional (CNJ, Justiça em Números 2026, Tabela 2).

Depois de São Paulo vêm Rio de Janeiro (521.070), Minas Gerais (475.282) e Rio Grande do Sul (361.921). Os cinco maiores tribunais concentram 58,1% dos 5,2 milhões de casos novos registrados no país em 2025, volume 6,5% maior que o de 2024. No critério do CNJ, casos novos incluem recursos e execuções, por isso o número é maior do que a contagem de novas ações feita pelo TST, que foi de 3,6 milhões em 2024 (TRT-6).

O Rio Grande do Sul também chama atenção pelo crescimento. Pelos dados do próprio tribunal, o TRT-4 recebeu 153.544 novas ações no primeiro grau em 2025, alta de 15,3% sobre 2024 (TRT-4). O número é menor que o do CNJ (361.921) porque conta só as ações novas nas varas, sem recursos e execuções.

Os 10 TRTs com mais casos novos em 2025, liderados pelo TRT-2 (SP) com 995.551 casos e 19,2% do total nacional

Os estados remanescentes são:

TRTs do 11º ao 24º lugar em casos novos em 2025, do TRT-7 (CE) ao TRT-22 (PI), com total nacional de 5.196.535 casos”

Fonte: CNJ, Justiça em Números 2026 (ano-base 2025), Tabela 2: classificação dos tribunais da Justiça do Trabalho segundo o porte. Participação calculada pela Turivius.

Quais estados mais litigam em relação à população?

Em relação à população, São Paulo continua no topo, mas o Rio Grande do Sul sobe para o segundo lugar. Em 2025, a média da Justiça do Trabalho foi de 24,3 casos novos por mil habitantes. O TRT-2 registrou 42,8, quase o dobro da média, e o TRT-4 (RS), 32,2 (CNJ, Justiça em Números 2026, Figura 387).

O indicador per capita muda a leitura do mapa. Minas Gerais é o quarto tribunal em volume, mas fica abaixo da média nacional (22,2 por mil habitantes). A Bahia é a sétima em volume e tem só 15,2. Já o TRT-10 (DF e TO) e o TRT-12 (SC), com volumes médios, aparecem acima da média.

No outro extremo, o Nordeste e o Norte concentram a menor litigiosidade relativa. O TRT-16 (MA) é o menos demandado do país, com 9,1 casos por mil habitantes, seguido do TRT-22 (PI), com 12,0, e do TRT-8 (PA e AP), com 13,7.

Litigiosidade trabalhista por mil habitantes nos 24 TRTs em 2025, do TRT-2 (SP), com 42,8, ao TRT-16 (MA), com 9,1

Fonte: CNJ, Justiça em Números 2026 (ano-base 2025), Figura 387. O indicador considera apenas processos de conhecimento e execuções de títulos extrajudiciais, sem as execuções judiciais, por isso não corresponde exatamente à divisão dos casos novos da tabela anterior pela população.

Como os TRTs decidem os recursos trabalhistas?

No segundo grau, a reforma parcial da sentença é a regra. Dos 500 acórdãos analisados pela Turivius, 339 (67,8%) tiveram resultado parcial ou misto: cada parte ganhou e perdeu pedidos relevantes. Apenas 86 (17,2%) foram predominantemente favoráveis à empresa e 75 (15,0%) ao reclamante.

Resultado materialDecisõesParticipação
Parcial ou misto33967,8%
Favorável à empresa8617,2%
Favorável ao reclamante7515,0%
Total500100%

O saldo decisório nacional da amostra é de −2,2 pontos percentuais, praticamente um empate. O resultado formal confirma o padrão: 404 recursos (80,8%) foram parcialmente providos, 88 (17,6%) não foram providos e só 8 (1,6%) foram integralmente providos.

Na prática, isso significa que o recurso ordinário raramente vira o jogo por completo. Ele costuma ajustar a condenação: reduz valores, exclui uma verba, reconhece outra ou redistribui honorários.

Qual é o ranking dos TRTs por perfil decisório?

O TRT-4 (RS) lidera como o tribunal mais favorável ao reclamante, e o TRT-9 (PR) é o mais favorável às empresas entre os tribunais com amostra estável. O TRT-6 (PE) tem o saldo mais negativo de todos, mas com amostra apenas indicativa. O ranking considera apenas os 14 TRTs com pelo menos 10 decisões na amostra e ordena pelo saldo decisório: decisões pró-reclamante menos decisões pró-empresa, dividido pelo total.

Fonte: levantamento jurimétrico da Turivius com o GPTuri, 500 acórdãos de recurso ordinário dos 24 TRTs (fevereiro de 2023 a outubro de 2026). Saldo decisório calculado pela Turivius.

* Resultado indicativo: entre 10 e 19 decisões na amostra. Os demais têm 20 ou mais. Fonte: Turivius, análise de 500 acórdãos de recurso ordinário (2023 a 2026).

Dez tribunais ficaram fora do ranking por terem menos de 10 decisões na amostra: TRT-11 (AM e RR), TRT-12 (SC), TRT-14 (RO e AC), TRT-16 (MA), TRT-18 (GO), TRT-19 (AL), TRT-21 (RN), TRT-22 (PI), TRT-23 (MT) e TRT-24 (MS).

Em quais TRTs os reclamantes levam a melhor?

O Rio Grande do Sul é o tribunal onde o trabalhador mais se sai bem no segundo grau. No TRT-4, 28,1% dos acórdãos foram predominantemente favoráveis ao reclamante, contra apenas 5,3% favoráveis à empresa. É também a maior amostra do estudo, com 114 decisões, o que torna o resultado o mais consistente do painel.

Nas 32 decisões pró-reclamante do TRT-4, horas extras e dano moral aparecem em 18 cada, e rescisão indireta ou discussão de justa causa surgem em 12. Dos cinco únicos recursos de reclamantes integralmente providos em toda a amostra, os cinco são do TRT-4.

Completam o grupo pró-reclamante o TRT-10 (DF e TO), com saldo de +20,0 p.p. e nenhuma decisão predominantemente favorável à empresa em 20 acórdãos, e o TRT-8 (PA e AP), com +17,4 p.p. e 26,1% de decisões pró-reclamante.

TRTPró-reclamantePró-empresaSaldo (p.p.)
TRT-4 (RS)28,1%5,3%+22,8
TRT-10 (DF e TO)20,0%0,0%+20,0
TRT-8 (PA e AP)26,1%8,7%+17,4

Quais TRTs respondem mais positivamente às empresas?

O Paraná é o tribunal com perfil mais favorável às empresas entre os que têm amostra estável. No TRT-9, 40,5% dos acórdãos foram predominantemente favoráveis à empresa, a maior taxa do painel, contra 8,1% favoráveis ao reclamante. Em 11 das 15 decisões pró-empresa, o tribunal manteve a improcedência de pedidos do trabalhador, como horas extras, dano moral e rescisão indireta.

O contraste com o vizinho gaúcho é o achado mais forte do estudo: dois tribunais da mesma região, com saldos de +22,8 p.p. (RS) e −32,4 p.p. (PR), uma diferença de 55 pontos.

Com amostras menores, mas no mesmo sentido, aparecem o TRT-6 (PE), sem nenhuma decisão pró-reclamante em 13 acórdãos, e o TRT-17 (ES), com 31,2% de decisões pró-empresa. Os grandes tribunais do Sudeste, TRT-2, TRT-15 e TRT-1, ficam levemente pró-empresa, com saldos entre −7,7 e −11,1 p.p.

TRTPró-empresaPró-reclamanteSaldo (p.p.)Amostra
TRT-9 (PR)40,5%8,1%−32,437 (estável)
TRT-6 (PE)38,5%0,0%−38,513 (indicativa)
TRT-17 (ES)31,2%6,2%−25,016 (indicativa)
TRT-1 (RJ)26,9%19,2%−7,726 (estável)
TRT-2 (SP capital)20,3%10,1%−10,169 (estável)

Recurso de quem tem mais chance de êxito?

Quando só a empresa recorre, ela obtém provimento total ou parcial em 80,8% dos casos. Quando só o trabalhador recorre, o índice cai para 69,1%. O cálculo considera apenas recursos exclusivos de uma das partes, porque nos recursos de ambas o resultado formal não indica qual lado foi atendido.

RecorrenteRecursos julgadosProvidosParcialmente providosNão providosÊxito recursal
Empresa (reclamada)520421080,8%
Trabalhador (reclamante)15251004769,1%

Há uma ressalva importante: êxito recursal não é vitória no processo. Quando apenas a empresa recorreu, o resultado material final foi predominantemente favorável a ela em só 7,7% dos casos; em 19,2%, o tribunal manteve condenação relevante contra ela. O recurso empresarial costuma reduzir a conta, não zerá-la.

Por tribunal, a diferença no recurso do trabalhador é grande. O TRT-4 acolheu, total ou parcialmente, 33 dos 35 recursos exclusivos de reclamantes (94,3%). O TRT-9 acolheu 6 de 18 (33,3%). Entre os recursos exclusivos de empresas, apenas o TRT-2 tem amostra suficiente: 11 de 12 acolhidos (91,7%).

Quais temas favorecem cada lado?

Reconhecimento de vínculo é o tema mais favorável ao trabalhador, e terceirização, salário e rescisão são os mais favoráveis às empresas. Nos 34 acórdãos sobre vínculo, 29,4% foram pró-reclamante, quase o dobro da média da amostra.

Saldo decisório por tema trabalhista nos TRTs, com vínculo mais favorável ao reclamante e terceirização mais favorável às empresas

Em terceirização, apenas 1 dos 38 acórdãos foi predominantemente favorável ao reclamante. Quase todos (37 de 38) discutem a responsabilidade subsidiária ou solidária da tomadora de serviços, e 81,6% terminam em resultado parcial, que ajusta o alcance dessa responsabilidade sem resolver o caso inteiro para um dos lados.

Quem recorre mais: empresa ou trabalhador?

O trabalhador recorre sozinho três vezes mais do que a empresa. Em 152 dos 500 acórdãos (30,4%), só o reclamante recorreu; em 52 (10,4%), só a empresa. Na maioria dos casos, 296 (59,2%), as duas partes recorreram da mesma sentença.

Quem recorreuAcórdãosParticipaçãoPró-reclamantePró-empresaParciais
Ambas as partes29659,2%13,9%11,8%74,3%
Só o reclamante15230,4%15,8%30,9%53,3%
Só a empresa5210,4%19,2%7,7%73,1%

Fonte: levantamento jurimétrico da Turivius com o GPTuri, 500 acórdãos de recurso ordinário dos 24 TRTs (fevereiro de 2023 a outubro de 2026).

O dado ajuda a ler o ranking com cuidado. Quando só o trabalhador recorre, 30,9% dos acórdãos terminam favoráveis à empresa, porque a sentença de improcedência é mantida. Quando só a empresa recorre, o cenário mais comum é a condenação reduzida, mas mantida: 73,1% de resultados parciais.

Leia também: Quais tribunais mais condenam por dano moral?

O que esses dados mudam para jurídicos e escritórios?

O tribunal de destino é uma variável de risco tão relevante quanto a tese. A mesma estratégia recursal pode ter 94,3% de acolhimento no TRT-4 e 33,3% no TRT-9.

Para departamentos jurídicos de empresas, três leituras práticas:

  • Provisionamento regional. Carteiras com processos no RS, DF e PA tendem a ter menor chance de reverter condenações no segundo grau; no PR, a chance de manter uma improcedência é maior.
  • Expectativa realista do recurso. Recorrer costuma reduzir valores, não eliminar a condenação: só 7,7% dos recursos exclusivos de empresas terminaram com resultado predominantemente favorável a elas.
  • Acordo antes do recurso. Em tribunais com saldo pró-reclamante, a diferença entre o valor da condenação e o de um acordo pode compensar o custo e o tempo do recurso.

Para escritórios que atuam pelo reclamante, o recado é o inverso: em tribunais com perfil pró-empresa, a prova produzida no primeiro grau pesa mais, porque a chance de corrigi-la no recurso é menor.

Com o GPTuri, é possível repetir esta análise para um tema, um tribunal ou até um relator específico, a partir de decisões reais.

Metodologia

A reforma parcial da sentença, a origem do recurso e o tribunal de julgamento estão entre os fatores que mais pesam no desfecho dos recursos ordinários trabalhistas. É o que indica um levantamento jurimétrico da Turivius, plataforma de inteligência jurídica, que identificou 2.183.120 decisões relacionadas ao tema, delimitou 1.687.559 decisões dos Tribunais Regionais do Trabalho entre janeiro de 2023 e outubro de 2026 e aprofundou a análise de 500 acórdãos de recurso ordinário dos 24 TRTs.

Fonte: base de jurisprudência da Turivius, consultada pelo GPTuri em outubro de 2026.

O GPTuri classificou cada acórdão pela ementa e pelo dispositivo como favorável ao reclamante, favorável à empresa ou parcial, e a equipe da Turivius revisou a base. Volume e dados per capita vêm do Justiça em Números 2026, do CNJ. A amostra não é proporcional ao volume de cada tribunal, e os percentuais descrevem padrões da amostra, não a taxa oficial de cada TRT.

Conclusão

Em resumo, a litigiosidade trabalhista no Brasil se concentra em São Paulo, que recebe quase um terço dos casos novos do país, e é proporcionalmente mais alta em São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. No segundo grau, a reforma parcial é a regra, mas o perfil decisório muda de forma relevante entre tribunais: o TRT-4 (RS) é o mais favorável ao reclamante e o TRT-9 (PR), o mais favorável às empresas.

Para quem gere contencioso trabalhista, conhecer o tribunal é parte da estratégia. Dados de jurimetria permitem estimar a chance real de um recurso antes de interpô-lo, ajustar provisões por região e decidir com mais segurança quando vale negociar.

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Perguntas frequentes

Qual estado tem mais ações trabalhistas no Brasil?

São Paulo, que concentra o TRT-2 e o TRT-15. O TRT-2 é o tribunal trabalhista mais demandado do país, com 995.551 casos novos e 42,8 casos por mil habitantes em 2025, segundo o Justiça em Números 2026 do CNJ.

Qual TRT é mais favorável ao trabalhador?

Na amostra da Turivius, o TRT-4 (RS): 28,1% dos acórdãos foram favoráveis ao reclamante e só 5,3% à empresa, com saldo de +22,8 pontos percentuais em 114 decisões.

Qual TRT é mais favorável às empresas?

O TRT-9 (PR), entre os tribunais com amostra estável: 40,5% das decisões foram favoráveis à empresa, com saldo de −32,4 pontos percentuais em 37 acórdãos.

Vale a pena a empresa recorrer de uma sentença trabalhista?

Recursos exclusivos de empresas foram acolhidos, total ou parcialmente, em 80,8% dos casos. Mas só 7,7% terminaram com resultado predominantemente favorável a ela: o recurso costuma reduzir a condenação, não eliminá-la.

Qual a chance de o trabalhador ganhar o recurso ordinário?

Recursos exclusivos de reclamantes foram acolhidos, total ou parcialmente, em 69,1% dos casos. A taxa varia de 94,3% no TRT-4 a 33,3% no TRT-9.

Os TRTs costumam reformar a sentença inteira?

Não. Em 67,8% dos acórdãos o resultado foi parcial, e só 1,6% dos recursos foram integralmente providos.

Em qual tema o trabalhador tem mais êxito no TRT?

Reconhecimento de vínculo: 29,4% das decisões foram favoráveis ao reclamante. Em terceirização, a taxa cai para 2,6%.

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