Como ser um departamento jurídico mais eficiente

3 dicas para tornar-se um departamento jurídico mais eficiente e estratégico para o negócio.
Thagina Belo
Thagina Belo
Advogada em Irani Papel e Embalagem S.A

O Jurídico frequentemente é estigmatizado como o departamento do “não”, caracterizado por morosidade e burocracia. Muitas vezes, os funcionários de uma empresa ouvem a famigerada frase “o processo está parado no jurídico”.

Como ser um departamento jurídico mais eficiente

Como resultado dessa percepção, o departamento é relegado ao papel de “apagador de incêndios”, já que as áreas de negócio tendem a evitar buscá-lo com antecedência, devido à percepção de demora e burocracia envolvidas. Essa postura gera riscos não calculados pela empresa, contribuindo para que o departamento seja visto, quase sempre, como um agregador de custos.

No entanto, nos últimos anos, os departamentos jurídicos têm se tornado ativos na busca por romper com esse estereótipo, demonstrando eficiência, estabelecendo parcerias sólidas com outras áreas da empresa e se aproximando dos objetivos do negócio.

Mas como tornar-se um departamento jurídico eficiente, capaz de gerar resultados tangíveis e participar ativamente do plano estratégico da empresa?

3 Dicas (fáceis de aplicar) para tornar-se um departamento jurídico mais eficiente

Conheça o business da empresa

É fundamental que o departamento esteja próximo das áreas de negócio, pois isso permitirá que compreendam o core business da empresa e alinhe suas entregas aos objetivos estratégicos da organização.

Ao conhecer e falar a mesma linguagem dos stakeholders, o Jurídico estará mais próximo das áreas parceiras e da alta direção, o que lhe proporcionará uma compreensão mais profunda dos detalhes do negócio e de qual é o real propósito de determinados caminhos que irão nortear a empresa.

Dessa forma, o departamento será capaz de avaliar quais riscos são aceitáveis, ou até mesmo, contornáveis, e poderá propor alternativas de forma mais assertiva, segura e preventiva. Isso resultará em uma maior confiança por parte dos clientes internos e permitirá que participe das estratégias traçadas pela empresa, auxiliando no mais importante: a tomada de decisão.

Além disso, abandonar o “juridiquês” também é essencial nesta construção. Na prática, apresentar um parecer jurídico impecável, porém extenso e repleto de jurisprudência não trará qualquer benefício. No fim do dia, o que realmente querem saber é: “Vamos fazer ou não?” e “É seguro?”.

Para conseguirmos nos comunicar efetivamente com o restante da companhia, precisamos conhecer o negócio e falar a mesma língua, e este é um exercício diário de aproximação.

Portanto, estabelecer proximidade com as áreas de negócio, falar a mesma linguagem e abandonar o uso excessivo de jargões jurídicos são passos essenciais – se não, cruciais – para tornar o departamento jurídico mais integrado às estratégias da empresa.

Seja proativo

Na grande maioria das vezes, o departamento Jurídico é acionado quando um assunto já se encontra em uma fase que pode gerar problemas, ou até mesmo quando o problema já ocorreu (instaurado o caos? Liguem para o jurídico!). No entanto, é crucial que o departamento não seja visto apenas como o “solucionador de problemas”, mas sim como uma área parceira a qual precisa ser informada para atuar e antever situações em conjunto com as demais áreas da empresa.

Essa parceria estratégica é fundamental para que o Jurídico se torne um facilitador de negócios da companhia. Para alcançar esse objetivo, é necessário que o departamento seja proativo em vez de apenas reagir a solicitações. Ele deve buscar ativamente as áreas internas, compreender em que momento e de que forma pode contribuir para que as metas e objetivos da empresa sejam alcançados, além de agir preventivamente para evitar prejuízos futuros.

Imagine que uma empresa de tecnologia está desenvolvendo um produto extremamente inovador, capaz de mudar completamente a forma como determinada atividade, aparelho ou serviço é realizada no mundo hoje. Nesse caso, o departamento Jurídico não deve simplesmente esperar ser consultado em caso de dúvidas legais. Ao invés disso, ele pode tomar a iniciativa de se envolver desde o início do processo.

O departamento pode realizar uma análise prévia do produto, identificando potenciais questões legais e regulatórias. Por exemplo, pode verificar a viabilidade geral do produto no mercado: se está em conformidade com leis de proteção de dados, propriedade intelectual ou regulações específicas do setor, além de aconselhar a equipe de desenvolvimento sobre a necessidade de obter licenças ou autorizações específicas.

Ao estar envolvido desde o início, o departamento Jurídico pode apoiar a empresa a evitar problemas futuros, antecipando riscos legais e garantindo que o produto seja lançado no mercado em conformidade com todas as normas e regulamentações aplicáveis. Isso não apenas minimiza o risco de litígios e penalidades legais, mas também fortalece a imagem, a reputação e a posição da empresa perante o mercado, demonstrando seu compromisso com a conformidade e a ética.

Ao ser proativo e assumir um papel consultivo desde a fase de desenvolvimento, o departamento Jurídico se posiciona como um parceiro estratégico, contribuindo para o sucesso do novo produto e agregando valor à empresa como um todo (Lembrem, agregar valor, e não somente custo!).

Adote uma área de Legal Operations

É importante ressaltar que, mesmo buscando nos desvincularmos do estereótipo do “jurídico tradicional”, não devemos negligenciar a excelência e a expertise técnica (afinal, queremos ser vistos como um parceiro estratégico e singular da empresa).

Para alcançar a eficiência dentro do departamento jurídico, é crucial possuir conhecimentos em diferentes áreas, e transitar por diferentes vertentes do mundo corporativo, como financeira, estratégica, analítica, comercial etc. E a melhor maneira de adquirir esse conhecimento é por meio de um time multidisciplinar.

É exatamente por isso que o conceito de Legal Operations tem ganhado tamanha relevância atualmente. Ao concentrar as demandas operacionais nessa área, os advogados especialistas podem direcionar suas habilidades para as atividades jurídicas estratégicas. Dessa forma, o departamento jurídico é capaz de entregar resultados com maior qualidade e agilidade.

O Legal Operations desempenha um papel fundamental na otimização dos processos internos, na implementação de tecnologias jurídicas avançadas e na gestão eficiente de recursos. Esta ideia de operação permite que as equipes jurídicas se concentrem em questões complexas e de alto valor agregado, como a análise de riscos, a elaboração de estratégias jurídicas e a negociação de contratos importantes. Ao mesmo tempo, as atividades operacionais, como a gestão de contratos, a coleta e análise de dados, e a padronização de processos, são realizadas de maneira eficiente pela equipe de Legal Operations.

Assim, ao adotar a estrutura de Legal Operations, o departamento Jurídico ganha em eficiência, reduz custos, melhora a comunicação e colaboração entre as áreas e, principalmente, aumenta sua capacidade de atuar de forma estratégica e agregar valor à empresa e a seu propósito.

Conclusão

Para ser um departamento Jurídico eficiente e verdadeiramente contributivo para o sucesso do negócio da companhia, é crucial deixarmos de ser conhecidos apenas como o “departamento do não”. Para alcançar essa virada de chave, é necessário que os integrantes do departamento desenvolvam um profundo conhecimento do core business da empresa, capacitando-se para agir de forma mais assertiva ao propor alternativas e auxiliar nas tomadas de decisão que façam sentido ao negócio.

Adotar uma postura proativa irá demonstrar comprometimento com o sucesso da empresa e fortalecer a confiança entre o departamento Jurídico e as demais áreas e a implementação de uma área de Legal Ops, composta por profissionais multidisciplinares permitirá que os(a) advogados(as) especialistas concentrem seus esforços nas demandas legais e jurídicas mais estratégicas. Essa abordagem agiliza o fluxo de trabalho, acelera as entregas e maximiza o valor agregado proporcionado pelo departamento.

Seguindo estas diretrizes, será possível construir uma gestão mais eficiente do departamento jurídico, que passa a ser reconhecido como um singular parceiro de negócios dentro da empresa. Como consequência, será buscado antecipadamente para a tomada de decisões, estabelecendo uma cultura corporativa mais confiante e segura.

Essa transformação impacta positivamente toda a organização, fortalecendo sua postura estratégica, mitigando riscos e impulsionando o crescimento sustentável e consolidada.

Leia também:

A eficiência de Legal Operations para o mercado jurídico brasileiro

Vantagens para o negócio a partir de legal operations

Sumário

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