Como a pandemia do coronavírus vai transformar o Direito - Turivius
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Morgana Alencar

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Advogada, Membro da Comissão Especial de Direito Digital da OAB/SP e escritora 

Como a pandemia do coronavírus vai transformar o Direito

Turivius: sua nova forma de fazer pesquisa jurisprudencial tributária

Como todos sabemos, após a pandemia da COVID-19, o mundo nunca mais será o mesmo.  

De acordo com o estudo “Tendências de Marketing e Tecnologia 2020: Humanidade Redefinida e os Novos Negócios”, realizado pela Infobase, o número de empresas que pretendem adotar o home office subirá para 30%.

E como esse e outros números impactam e transformam a vida do profissional de Direito? Acompanhe no artigo!

Como a pandemia da COVID-19 já transformou o Direito

Antes de tratarmos como o COVID-19 vai impactar a rotina do advogado, vejamos a seguir algumas mudanças que já ocorreram com o isolamento social e como elas modificaram a dinâmica nos escritórios de advocacia. 

A tecnologia como principal aliada

Com o isolamento social, a utilização da tecnologia se demonstrou como facilitadora e essencial à manutenção do sentimento de que, embora distantes fisicamente, não estamos sozinhos.

A tecnologia aproximou pessoas, seja nos  relacionamentos familiares, sociais e profissionais.

As videochamadas e os aplicativos de reunião e compartilhamento de informações fez com que o isolamento social ‘físico’ não resultasse em total falta de comunicação entre as pessoas.

Mais do que nunca, a tecnologia está sendo vista como a ferramenta permitindo a continuidade das relações de trabalho e sociais, demonstrando que a sua função sempre foi auxiliar e ampliar a efetividade do trabalho desempenhado pelos seres humanos e não substituí-los. 

Agora, alguns números. 

Foi realizado estudo pelo Centro de Estudos de Sociedades de Advogados (CESA), com 649 escritórios de advocacia espalhados pelo Brasil.

Ao serem questionados sobre o uso de ferramentas tecnológicas durante o isolamento provocado pela pandemia, 78% respondeu que, para tornar o funcionamento em regime de home office viável, fizeram uso de ferramentas tecnológicas como Zoom, Skype e Hangout. 

Assim, não há dúvidas de que a tecnologia deve ser vista como grande aliada e facilitadora do trabalho realizado pelo advogado e nunca como ameaça a este. 

Redução na demanda

Outro impacto citado pela pesquisa mencionada acima foi a redução na demanda de trabalho. Para 25% dos respondentes, a demanda caiu entre 21% e 50%. Com a redução na demanda, muitos advogados deram seguimento à divulgação do seu trabalho com a realização de webinars, lives, consultas online.

Mais uma vez, a tecnologia se demonstra essencial no momento em que se busca a continuidade das atividades essenciais à sobrevivência do escritório de advocacia. 

Rescisão de contratos 

Com a redução da demanda e, consequentemente, do faturamento, o estudo pelo Centro de Estudos de Sociedades de Advogados (CESA) trouxe que 48% dos entrevistados por enquanto não pretendiam rescindir o contrato com advogados.

Como a pandemia da COVID-19 vai transformar o Direito

Vejamos agora  como se dará a configuração do que vem sendo chamado de “novo normal” e ele  impactará os advogados no futuro.

Home office: o novo modelo de trabalho

A realidade do home office promete se estender para além do momento de isolamento social. Ela  se tornará uma possibilidade para muitas empresas que em momento anterior podem ter apresentado relutância a implantar o novo modelo de trabalho.

O que antes era considerado pouco oportuno e, até mesmo, arriscado, tornou-se com a pandemia a única forma de garantir a sobrevivência de muitos negócios. 

Sobre a pesquisa realizada pela FGV, André Miceli dispôs que “Nosso entendimento é que, logo após a abertura, algumas empresas ainda vão precisar manter o home office por uma questão da recomendação de distanciamento social, não do isolamento social como a gente vive hoje, mas, quando as empresas voltarem, vão voltar com áreas de refeitório fechadas, com demanda de espaço entre os funcionários que vai impedir que todo mundo volte ao mesmo tempo”. 

No ramo jurídico, em artigo disponibilizado pela Lexis Nexis, sobre os impactos da COVID-19 no setor jurídico, Sophie Gould informou que acredita que os advogados terão as mesmas preocupações em relação à continuidade do distanciamento social que as demais profissões

A pesquisa realizada pela Legal Week com advogados do Reino Unido mostrou que esse movimento já está acontecendo em relação  ao trabalho remoto.  O estudo apurou que 72% das empresas com mais de 1.000 assalariados já se encontra familiarizada com o regime de home office.

Desse modo, assim como ocorre em outros setores, serão necessários reajustes principalmente para os profissionais que nunca tiveram contato com o trabalho em home office. 

Válido mencionar também que, embora a pandemia tenha colaborado diretamente para que o home office passasse a ser experimentado por boa parte da população, a realidade vivenciada nos últimos meses é só uma amostra de como funcionaria o home office em condições menos extremas.   

A preocupação com a saúde mental 

Questões como saúde mental e doenças como depressão e ansiedade também passaram a receber mais atenção com a crise mundial provocada pelo COVID-19. 

Pesquisa realizada pela o professor do Instituto de Psicologia da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Alberto Filgueiras, em colaboração com Dr. Matthew Stults-Kolehmainen, do Yale New Haven Hospital, nos EUA, buscou analisar o comportamento dos brasileiros em isolamento social.

O estudo foi realizado com 1.460 entrevistados em 23 estados e em dois períodos distintos, de 20 a 25 de março e de 15 a 20 de abril. Ele constatou que o número de depressão praticamente dobrou de uma data a outra. Segundo Alberto Filgueiras:

“A prevalência de pessoas com estresse agudo na primeira coleta de dados foi de 6,9% contra 9,7%, na segunda. Para depressão, os números saltaram de 4,2% para 8,0%. Por último, no caso de crise aguda de ansiedade, vimos sair de 8,7% na primeira coleta para 14,9%, na segunda coleta”.

E você pode estar se perguntando o que tudo isso tem a ver com o profissional do Direito. 

O advogado se encontra constantemente em momentos de estresse e tensão. Isso quem diz é a instituição de caridade LawCare, que constata que a busca por apoio emocional aumenta anualmente, como também apontou  matéria publicada pelo The Guardian

Mas isso tende a mudar. Em um contexto em que a saúde mental ganha destaque, a busca por melhor qualidade de vida se encontra diretamente relacionada com a mudança de paradigmas também no ambiente de trabalho e à cultura coorporativa. 

O que nos leva ao tópico seguinte.  

A mudança da cultura corporativa dentro do escritório

Cada vez mais se valoriza a cultura do empregador e a política da empresa. Essa preocupação é levada em consideração para empresas que desejam atrair profissionais qualificados.

A possibilidade de flexibilização do trabalho com o home office e a mudança de paradigmas que envolvem o conceito de great place to work impactarão os novos advogados.

Será  sendo fundamental aos escritórios de advocacia o entendimento que os profissionais do Direito também desejam fazer parte dessa nova cultura corporativa que valoriza a qualidade de vida do associado.   

A possibilidade de trabalho em home office faz parte da mudança da cultura corporativa que durarão além da quarentena. O escritório jurídico que desejar contratar os melhores profissionais deverá estar atento às demandas da nova geração de profissionais. Essas demandas são diferentes da geração anterior. 

Pesquisa disponibilizada pela LexisNexis , informou que (76%) dos advogados considerou que a saúde mental na profissão é uma questão importante, sendo que mais de um terço dos advogados informam enfrentar estresse no trabalho.

Esses profissionais esperam, com o home office, redução do estresse da profissão, com a possibilidade de atuarem de modo mais independente, em relação de confiança com o seu empregador. 

3 dicas que vão facilitar a sua vida no cenário pós-pandemia.

Algumas mudanças que ocasionadas pela pandemia vieram para ficar. A seguir, compartilhamos com você 3 dicas para ajudá-lo a enfrentar essas mudanças e colocá-las a seu favor. 

Entenda a fundo seus gargalos

Com o home office, vários gargalos dentro dos escritórios vieram à tona. Por exemplo, compartilhamento de informações entre membros do time passou a ser um desafio. Repositórios de informações, bem organizados e acessíveis remotamente, passaram a ser uma prioridade. 

Por mais que tenhamos apresentado diversos dados ao longo deste artigo, somente você e sua equipe entenderão quais são as suas demandas, quais foram as principais dificuldades percebidas ao trabalhar fora do escritório e como vocês fizeram para contorná-las. 

O primeiro passo portante é entender os seus gargalos, o que mais atrapalha o seu fluxo de trabalho e a sua produtividade. 

Mais do que nunca é necessário que a gestão de conhecimento processual e jurídico esteja em dia, de modo dar mais produtividade às horas trabalhadas, em casa ou no escritório.

Nesse sentido, há diversas ferramentas disponibilizadas ao profissional do Direito, que precisa se manter atualizado não somente para garantir a produtividade da sua equipe, como também para demonstrar ao seu cliente que está prestando o melhor serviço disponível no mercado. 

Em suma, não jogue sujeira para debaixo do tapete e conheça bem os seus gargalos. 

Teste soluções alternativas  

Depois que você já entendeu seus gargalos,  o próximo passo que é testar possíveis soluções.  Tente envolver boa parte do seu time nessa tarefa. É mais fácil testar soluções entre diversas pessoas.

Alguns escritórios maiores até criam comitês específicos para essas tarefas. Mas se seu escritório tem um porte menor, tente não burocratizar muito o processo. De uma forma ou outra, alerte sua equipe sobre a necessidade procurar ativamente e testar novas ferramentas.

 Há quase 14 anos, a Lei de Informatização do Processo Judicial alterou a realidade dos advogados, de modo que o meio eletrônico de peticionamento se tornou a regra. Com o processo informatizado e a utilização de certificados digitais, já é permitido ao advogado cumprir prazos estando em qualquer local com que possua acesso à internet.

Ocorre que, antes de selecionar o botão “peticionar”, há diversos caminhos a serem percorridos pelo profissional do Direito.  

O uso de softwares jurídicos corresponde a importante momento para os profissionais do Direito, encontrando-se diretamente relacionado com o surgimento de novas startups voltadas para a solução de problemas jurídicos com o auxílio e implantação da tecnologia.

Ou seja, o setor jurídico já vinha caminhando para uma adoção mais intensa de novas tecnologias mesmo antes da pandemia.

Assim, depois que você conhecer seus gargalos, inicie os testes com soluções alternativas e tente envolver o seu time nessa busca.

Saiba separar a vida pessoal e profissional

Um novo desafio surge com o trabalho remoto.  Um estudo da FGV apontou que 56% da população brasileira informa que tem dificuldade de equilibrar suas atividades pessoais e profissionais durante a quarentena.

Essa dificuldade em equilibrar as duas dimensões das nossas vidas vai ser mais desafiadora se aumentarmos o home office.

Na mesma entrevista que mencionamos aqui anteriormente, Sophie Gould, que possui 20 anos de experiência com home office, cita alguns desafios por ela vivenciados, como seria a dificuldade inicial de separar o ambiente doméstico do ambiente de trabalho, uma vez que o espaço físico passou a ser o mesmo para o desenvolvimento de ambas atividades. 

Como dissemos, a flexibilização do trabalho é uma realidade e também a mudança de mentalidade, com debates cada vez mais frequentes sobre saúde mental e equilíbrio entre vida pessoal e profissional. 

Estabelecer horários e prazos para a realização de tarefas do trabalho, não agendar diversas reuniões consecutivas e cumprir com o cronograma diário a risca são algumas das dicas que devem ser levadas em consideração para que a sobrecarga enfrentada pelos profissionais não resulte em baixa produtividade. 


No artigo de hoje vimos algumas mudanças que já estão acontecendo na advocacia em razão da crise provocada pelo coronavírus.

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